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"Conheci a Adriana num concerto e foi claramente no meio da música que a fotografia a descobriu. Acompanha o pai (o melhor radialista português, que faz milagres num especialíssimo programa há 25 anos de forma ininterrupta: o célebre Santos da Casa da RUC) desde muito cedo a concertos de norte a sul do país. Foi o Fausto que lhe passou a paixão pela música e de quem herdou o respeito pela criação artística. Essa rodagem de público-palcos levou à vontade de traduzir esse mundo de alguma forma. Inevitavelmente começou a ver a música em imagens, fazendo zoom no ritmo certo, compondo tudo aquilo que ouve. A Adriana sente o que todos nós sentimos quando ficamos avassalados com um bom concerto: aquele conjunto de instantes mágicos, enleados pelas melodias, que quase vemos como se estivéssemos fora de nós, num plano do alto, que mais parece frame de filme, que nos assalta a memória em fragmentos-flash. Começou a fotografar o que não quer(emos) esquecer. A fotografia começou a ser um exercício de proximidade: sentir a música e trazê-la consigo, querer ter para sempre essa vibração feliz, essa alegria física, materializada numa imagem.

A fotografia é para ela como um meio de expressão, de comunicação, até. Um espanta-timidez. Ela chega com aquele ar frágil, postura introvertida, menina atrás da camara, mas a sua personalidade forte, bem vincada, percebe-se nos seus trabalhos. A atenção que tem ao detalhe, a disciplina, a forma minuciosa e perfeccionista com que gere a própria vida, estão presentes nas suas fotografias. Mas as fotografias da Adriana despertam-me a atenção por razões que ultrapassam as considerações de mérito técnico. Não que não tenha de lhe gabar a harmonia, a luz, os contrastes, a proporção, a composição, os enquadramentos, a beleza da forma, o conteúdo, a precisão visual… A Adriana gosta de observar, de conhecer, de nomear. Ela desenha o instante com o olhar e num impulso espontâneo e inadiável, captura e guarda as melhores imagens, enquanto se move entre o silêncio e a melodia, voz e luz, cordas e pele, baquetas e suor. Já fotografou quatro centenas de bandas/artistas em mais de mil concertos a que assistiu. Não há artista ou banda da atualidade que não tenha uma fotografia com a Adriana. O caminho que tem feito é o da música portuguesa, contando este percurso através das suas imagens e, claro, a evolução da sua própria estética. Naturalmente, faz parte da história da música em Portugal: a Adriana é fotografia e todas as suas fotografias são música."

escrito por Fernanda Maurício, em Dezembro 2016.



"Quando contabilizo todos estes anos passados desde que a conheci, custa mentalizar-me que a Adriana Boiça Silva não atingiu sequer a maioridade. Como pode ser esta coisa estranha, de uma menina que é já uma grande senhora? A confusão está condenada a desaparecer, basta deixarmos de medir o tempo em anos e passarmos a medir em entusiasmo, em dedicação. O relógio da Adriana marca uma longevidade incrível, uns tenros 17 anos traduzidos em intensos, ricos e enérgicos 17 anos. E qual será a grande causa da grande senhora (que é afinal grande menina)? A música. A música portuguesa. Os músicos portugueses. As imagens, as cores, logo a seguir. Que poderia, pois, ser mais gratificante do que conhecer a Adriana, saber-lhe todas estas qualidades, ser abrangido pelo seu insuperável entusiasmo? Talvez só uma coisa: vermos o mundo pelos seus olhos."

escrito por Samuel Úria, em Janeiro 2012.